O Cruzador leve Emden

O cruzador leve (Kleiner Kreuzer) Emden, foi o segundo cruzador leve da Classe Dresden a ser construido nos estaleiros da cidade de Schichau (que seria após a 2a Guerra Mundial incorporado pela Polônia e renomeada como Danzig), tendo sido batida sua quilha em abril de 1906 e posteriormente lançado em maio de 1908, entrando em serviço operacional na Imperial Marinha Alemã em julho de 1909.
O Emden foi o último cruzador alemão a ser aparelhado com o sistema de propulsão de tripla expansão, enquanto o seu irmão, o "Dresden", foi equipado com o sistema de turbina a vapor.
A turbina confere ao navio uma alta velocidade, além do que é mais confiável, mas é menos econômica a baixas velocidades.
Deslocando 3.664 toneladas, ele tinha uma velocidade máxima de 24 nós, e uma blindagem na coberta de 1,75 Pol. (45mm). Sua tripulação era de 600 homens e ele foi inicialmente armado com 4 canhões de 4,1 Pol. (105mm) e 4 canhões de 2,1 Pol. (52mm), e 2 tubos de torpedo de 17,7 Pol., posteriormente, antes de sua ida para o oriente, foi-lhe acrescentados mais dois canhões de 4,1 Pol. e dois canhões de 2,1 Pol.
Em setembro de 1910, ele foi designado para servir no esquadrão do Pacífico sob comando do Vice-Almirante Von Spee, com base na colônia alemã de Tsing-Tao na China.
Um mês antes do início da 1a. Guerra Mundial, Von Spee levou seu esquadrão para o pacífico sul, deixando o Capitão-de-Fragata Von Müller, no Emden, em Tsing-Tao.
A primeiro de agosto de 1914, o comandante Von Müller recebia um telegrama via rádio comunicando que Sua Majestade, o Kaiser, ordenava a mobilização geral do Exército e da Marinha, após a invasão do território alemão por tropas russas.
Por ser o navio mais veloz, Von Spee designou ao cruzador leve Emden a missão de perturbar as rotas comerciais no Oceano Índico.
A 19 de agosto, o Emden e o navio carvoeiro Markomannia, que o abastecia, alcançaram as ilhas Palaus alemãs, prosseguindo até o limite oriental das ilhas Timor, de onde chegaram ao Oceano Índico. Passaram próximo a ilha de Bali pelo estreito de Lombok, onde ganhou uma quarta chaminé, feita de tela e madeira, para tornar a sua aparência igual a dos navios ingleses
que operavam na área e burlar a vigilância da frota inglesa, japonesa, russa e francesa.
Sua primeira presa ocorreu a 10 de setembro, um navio carvoeiro grego, o Pontoporos, com uma carga de 6 toneladas de carvão para os ingleses e que passou a partir daquele momento a servir como reabastecedor do cruzador.
Dois dias depois, os navios de transporte de tropas Indus e Lovat eram afundados.
O navio Kabinga foi capturado e usado como navio prisão para os tripulantes dos navios afundados e nas próximas duas semanas mais dois navios foram afundados.
Os ingleses, ainda ignorantes da presença do corsário, estavam desorientados, situação que mudou após o Emden ter abordado o navio italiano (ainda neutro) Loredano.
A abordagem foi feita com o propósito de verificar a finalidade e destino da carga, após o que o navio foi liberado. Quebrando a neutralidade, o capitão do navio italiano fez uma descrição completa do cruzador as autoridades inglesas que paralisaram o comércio marítimo na região.
Mas o Emden já não se encontrava na região, tendo-se afastado para procurar alvos na costa de Rangum antes de voltar.
Em um lance ousado a 22 de setembro, o Emden aproximou-se a cerca de 2 milhas ao largo de Madras, e bombardeou o porto e os tanques de óleo. Dois dos grandes tanques se incendiaram, três outros sofreram danos e tiros aleatórios foram disparados sobre a cidade e o porto.
Foi um duro golpe ao prestígio inglês, sendo todo o comércio marítimo novamente suspenso apenas um dia após ser reiniciado.
Desaparecendo tão misteriosamente quanto aparecera, o Emden torceu mais uma vez a cauda do leão britânico visitando a ilha de Diego Garcia.
Os habitantes da pequena ilha não sabiam do início da guerra e deram as boas vindas ao Emden, e permitiram que os tripulantes descansassem em terra e fizessem os reparos necessários.
Nos dias seguintes, ao largo do Ceilão, foram afundados mais quatro navios mercantes.
A seguir, Von Müller planejou um ataque a costa ocidental da Malásia, onde esperava encontrar um grande número de navios mercantes.
Com sua falsa chaminé içada, o Emden aproximava-se de Penang pouco depois das 03:00hs de 29 de outubro quando suas vigias deram o alerta de navio à frente.
O navio era o cruzador leve russo Jemtchug que não percebera a aproximação do Emden que posicionado disparou um torpedo do tubo de boreste submerso.
O torpedo explodiu a ré da chaminé do Jemtchug, os russos esboçaram uma reação e um de seus canhões chegou a abrir fogo, mas a artilharia do Emden completou a destruição.
O Emden então se dirigiu ao norte, onde tempos depois abordou um navio mercante inglês.
Enquanto a tripulação capturada subia a bordo, os vigias avistaram um navio de guerra se aproximando. Tratava-se do destróier francês Mousquet que embora inferiorizado, investiu contra o cruzador que o pôs a pique após breve combate.
O cerco apertava e os ingleses e japoneses estavam determinados a pegar o Emden e dispunham de quinze cruzadores patrulhando a região.
A 9 de novembro, o comandante Von Müller decidiu então destruir a estação telegráfica das ilhas Cocos-Keelings no sudoeste do Pacífico.
Além de interromper as comunicações entre a Austrália e a Grã-Bretanha, ele pretendia atrair alguns dos cruzadores inimigos para fora do Oceano Índico.
Embora o rádio do Emden estivesse sintonizado na mesma freqüência da estação de Port Refuge para interferir nas transmissões, o operador inglês conseguiu transmitir o sinal de "Navio não-identificado fora da barra" antes que a equipe de desembarque começasse a destruir as instalações.
A mensagem foi captada por uma força de cruzadores que estavam escoltando um comboio de tropas, sendo o cruzador australiano Sydney destacado para investigar.
A situação do comandante Von Müller era a pior possível, colhidos de surpresa, com 46 oficiais e marujos em terra.
O Emden, com suas máquinas necessitando de manutenção e com o casco sujo tentou fugir, mas o cruzador australiano, com o dobro de sua velocidade, logo estava ao alcance de atirar com seus canhões. Percebendo que não tinha chance de fuga, o Emden corajosamente virou para enfrentar o Sydney que procurava então manter-se a uma certa distância de forma a permitir que seus canhões de 6 Pol., que tinham um alcance de 14.000 jardas, alcançassem o Emden, enquanto os canhões de 4,1 Pol. do Emden tinham um alcance máximo de 10.000 jardas. Com duas chaminés destruídas e o mastro de vante derrubado, o Emden estava rápidamente sendo reduzido a escombros. Von Müller dirigiu o cruzador para o norte da ilha Kelling, e após uma breve pausa, em que o Sydney se afastou para não deixar o navio carvoeiro escapar, o ataque recomeçou.
Depois de mais 10 minutos de carnificina, a bandeira branca foi içada no mastro do Emden que adernou de lado e encalhou. No combate pereceram 134 marinheiros e foram feridos 65 contra três mortos e 13 feridos do cruzador Sydney.
O cruzeiro do Emden nunca foi jamais igualado por qualquer outro cruzador de sua classe, não apenas por percorrer uma distância de 30.000 milhas e afundar mais de 71.000 toneladas de embarcações (18 barcos mercantes, 4 navios capturados, 1 cruzador e 1 destróier destruídos, além do ataque a portos e a rota comercial aliada), mas também pelo cavalheirismo de Karl Von Müller , onde durante o seu comando não foi morto uma única pessoa dos navios mercantes afundados e os prisioneiros eram bem tratados.
O Emden, junto com o submarino U-9, foram os únicos navios a receberem a Cruz de Ferro por mérito militar.
O Kit
O kit do cruzador leve Emden, fabricado pela Revell AG, ‚ é constituído de 139 peças, injetados em plástico estireno cinza-claro.
Este kit ainda oferece a possibilidade de montar o modelo nas versões pré ou pós- lançamento em serviço operacional, quando de sua ida para a colônia alemã de Tsing-Tao na China.
Este kit é finamente acabado, com encaixe suave de suas peças.
A única maior dificuldade encontrada pelo modelista será na passagem de uma linha onde serão fixados os botes salva-vidas, onde se recomenda o uso de um furador com uma broca de 0,5mm para furar as pontas dos turcos onde ficam os botes.
A pintura pode ser feita nas versões pré ou pós início das hostilidades.
No caso de pintar a versão anterior a guerra, suas chaminés e a coberta devem ser pintados de amarelo ouro. Após o inicio das hostilidades, todo o barco foi pintado de cinza médio .
Aos modelistas que gostam de fazer diorama, a folha de instruções apresenta duas opções na qual mostra o navio ancorando dois pequenos botes, ou com suas escadas a portaló.
As instruções do manual de montagem sÆo claras e o conjunto de decais e a folha de bandeiras vem completa.
Observar que na orientação das cores para pintura, a sua descrição se encontra na primeira folha do manual de montagem do kit e na ultima folha as opções de pintura.

Bibliografia: Preston, Antony
Cruzadores, Ao Livro Técnico
Reports of Lieutenant Hellmuth Von Mücke
The Cruiser Emden
Darrenmilford, The Light Cruiser Emden