BMW R69

Kit Airfix na escala 1/12, ref.. 4636
50 peças, 4 peças transparentes
Tintas automotivas Duco Polidura nas cores Preto Cadillac, Branco Star VW 85, Alumínio para rodas VW, Metalcote (polished aluminium) Humbrol, Esmalte Sintético Preto fosco Coralit, Esmalte Sintético Vermelho Coralit, Clear Red Tamiya X27, Verniz fosco Acrilex, Varetas de poliestireno 3 e 4mm Plastitécnica.
As motocicletas BMW de R51 (500cc) e R69 (600cc) da década de 50 se destacaram de suas contemporâneas por sua confiabilidade mecânica, conforto, boa ergonomia e qualidade de seu sistema elétrico pouco propenso a falhas. Eram máquinas ágeis e isentas dos vazamentos de óleo comuns à produção Inglesa e Italiana da época.
Sua concepção mecânica se caracterizava pelo emprego de motores de cilindros contrapostos, virabrequim longitudinal e transmissão por eixo cardam. Em sua construção se empregavam técnicas típicas da industria automobilística que as posicionavam anos à frente da concorrência, como por exemplo o emprego mancais lisos no virabrequim, enquanto as máquinas Inglesas e as primeiras Japonesas empregavam problemáticos rolamentos de esfera ou rolos até o final da década de 60.
Havia na época outras motocicletas de cilindros contrapostos como a Inglesa Douglas e as Alemãs Zundapp e Hoffman, mas as BMW são as mais lembradas.
O Kit Airfix da R69 pertence a uma série do final da década de 50, início da década de 60 e pode ser considerado rudimentar se comparado aos kits Tamiya, Aoshima e Imai que surgiram bem mais tarde. Os componentes se encaixam bem mas há problemas principalmente de escala. O seu garfo dianteiro está totalmente fora de proporções e é o defeito mais grave do modelo. Fui obrigado a substituir o telescópio por varetas de poliestireno, sendo que a capa superior do amortecedor foi feita revestindo-se a vareta com uma tira de plástico retirada de uma tampa de embalagem de margarina. A fiação e cabos de comando foram feitos com capas de fios de telefone e de circuitos eletrônicos.
O kit não apresenta nenhuma peça com revestimento cromado, sendo necessário o uso de Bare Metal nos escapes, pedais de comando , aro de farol, guidão, amortecedores telescópicos, tampa de combustível e pedal de partida. Os pneus são injetados junto com os aros e cubos de roda, dificultando o trabalho de pintura (os kits Japoneses atuais possuem a roda em uma peça única e pneus de borracha incrivelmente bem reproduzidos). O tanque apresenta um filete em alto relevo demarcando faixas e emblema que tiveram de ser removidos. O modelo não possuía decais, então fiz o emblema do tanque e a escala do velocímetro através de um xerox colorido utilizando uma folha para transparência. A remoção das peças foi feita com o auxílio de um vazador. O friso do banco foi feito com um clip que foi moldado na lateral do mesmo, colado e lixado até se obter uma seção retangular. Apesar de tudo, o aspecto do modelo montado é interessante.
Utilizei o cianoacrilato tanto como putty quanto para unir as peças. Foi a única cola que usei, as lentes de farole lanterna foram apenas encaixadas. Na pintura passei primeiro a seladora para plásticos da Lazzuril, depois apliquei a tinta Duco. No caso do tanque e pára-lamas, optei por pintar tudo com Duco Branco Star (VW), executei os filetes com Tamiya Masking Tape cortada em tiras de 1mm,e em seguida recobri tudo com Duco Preto Cadillac. A almofada de borracha do tanque foi pintada com uma mistura de tintas fôscas esmalte sintético na tonalidade cinza. Na lanterna traseira utilizei o Clear Red da Tamiya sobre fundo Bare-Metal. Após a pintura, poli as superfícies com massa para polir Pérola No.2. Esse kit foi adquirido pelo meu Pai há cerca de 35 anos e infelizmente se encontra fora de catálogo. Inexplicavelmente os fabricantes agora só oferecem motocicletas de produção recente. A Tamiya iniciou sua série com a RD 350 LC de 1980 e só tem em catálogo modelos de produção recente. Que eu saiba, a Imai oferece uma Harley-Davidson 1960 e a Gunze Sangyo uma Kawasaki W1 650 de 1965, mas ambas são caríssimas, na faixa de 5000 yens. Infelizmente, ao contrário do que se sucede com aviões, não podemos dispor de modelos clássicos de Nortons, HRD Vincents, BSA's, Bianchis, Guzzis, etc. É muito difícil obter um velho kit Airfix, Protar ou mesmo Revell.
Bibliografia: Classic Motorcycle Mechanics, November 2000 - Mortons Motorcycle Media ltd - England.
Mário Levy